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Cuidado, Apple! Essa história de colocar todas as maçãs na mesma cesta começa a ser algo perigoso. Os resultados financeiros revelados nessa semana mostram que o iPhone segue muito bem. Por enquanto. E por causa da China (o recente acordo com a China Mobile). Porém, a margem de manobra para o mercado de smartphones está cada vez mais limitada, e a corrida para lançar um iPhone maior pode acabar canibalizando o iPad de tal forma, que o tablet da Apple pode simplesmente desaparecer.

Ok, pode ser uma previsão apocalíptica demais. Mas os resultados financeiros mostram que o iPhone do jeito que está continua muito bem nas vendas (35.2 milhões de unidades no último trimestre fiscal da empresa). Isso se reflete em uma clara dependência do iPhone para que o dinheiro das vendas entrem (nos últimos sete trimestres, o iPhone oscilou entre 51% e 57% no faturamento da empresa).

Já no caso do iPad, as quedas acontecem já por trimestres consecutivos. No último relatório financeiro, a queda foi de 9% em relação ao mesmo período de 2013. Tudo bem que o segundo trimestre é sempre aquele mais fraco, onde os usuários querem saber o que a Apple vai revelar em setembro/outubro. Mas também pode ser mais um claro indício de condenação do segmento dos tablets (e não só dos iPads): o auge dos phablets.

 

A dicotomia: um phablet Apple? Ou um tablet Apple?

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O iPhone é tão relevante para a Apple, que eles preferem mesmo atender o que os seus usuários querem, ou seja, aumentar a tela do iPhone. Essa mudança pode garantir o sucesso do produto por mais dois anos (pelo menos), mas pode fazer com que o iPad (principalmente o iPad mini) seja mais e mais irrelevante.

As vendas do iPad são cada vez menos estáveis com o passar dos últimos trimestres, mostrando que o iPad está cada vez menos relevante nessas vendas. De 20% das vendas totais da Apple no começo de 2013, temos hoje 16%. Nenhuma outra divisão da Apple tem esse comportamento hoje… exceto é claro o iPod (que ainda vende muito bem, acredite se quiser).

A lógica diz que, a partir do momento que a tela do iPhone crescer até as 5.5 polegadas, as vendas do iPad vão cair de forma vertiginosa. Afinal, por que eu preciso de um tablet, quando o smartphone já resolve o problema? Muitos usuários estão se perguntando isso nesse momento.

O ciclo de renovação dos tablets é maior, e no caso da Apple, o smartphone segue sendo o seu produto perfeito. É com o iPhone que a empresa obtém os seus maiores lucros, impulsionando outros negócios (acessórios, loja de aplicativos, iTunes, etc).

A falta de diversificação da Apple – algo que Steve Jobs defendeu com unhas e dentes – pode ser algo perigoso nos próximos trimestres. Os cartuchos da empresa podem se esgotar no processo de renovação das suas linhas clássicas, enquanto esperamos essa próxima geração de dispositivos, como smartwatches, soluções para a saúde e quantificadores.

Provavelmente a Apple já se deu conta que o mercado de tablets já flerta com a zona do declínio, e depender do iPad pode ser algo perigoso. Principalmente quando fica claro que os concorrentes já o superaram nos recursos e principalmente, no preço. E um iPhone com tela maior é apenas uma parte dessa equação: muitos sonham até hoje com um iPhone mais simples e barato, e a Apple segue dizendo “não” para essa possibilidade.

Deixando escapar pelos dedos milhões de novos usuários.

Quem sabe eles não mudam de ideia se perceberem os pés um pouco molhados, não é mesmo? (para bom entendedor…)