Quando eu saí do palco montado no Palácio de Cristal em Petrópolis (RJ), eu estava em um estado de felicidade que era singular na minha vida. Um estágio de satisfação que era vibrante e intenso. Um bem estar de alguém que acabou de realizar um sonho improvável.

A minha vida sem roteiros me entregou um capítulo do qual eu me lembrarei até o fim dos meus dias. Mais: um episódio do qual eu posso me orgulhar. Que faço questão de contar para todos que eu encontrar pelo caminho, porque reforça algo que trago em mim há muito tempo: faço música por amor, e sei que hoje estou cercado de cantores que fazem o mesmo.

Antes de me sentar para assistir ao coral que cantou depois de nós, fui até o fundo do palco e, de forma breve, desejei boa sorte ao grupo de cantores, e agradeci antecipadamente pela música que eles iriam nos oferecer. Sempre procuro fazer isso em encontros de corais, mas dessa vez, foi diferente. Queria transmitir toda a força que recebemos ao longo dos minutos que cantamos.

Ao me sentar do lado da Ana Aquini, eu não tinha como principal objetivo olhar em seus olhos e conversar brevemente sobre o que tinha acabado de acontecer. Aliás, por alguns minutos, eu não consegui falar nada. Meus pensamentos me transportaram para os meus primeiros anos de canto coral, onde por diversas vezes relatei que estava feliz ao lado de corajosos cantores, que praticavam as rotinas musicais… por amor.

Eu tenho muito orgulho do que fizemos. Especialmente no sábado.

Muito mais do que acertar as notas, cantar bem e emocionar pessoas. O Coro Ítalo foi exemplo. Estimulou quem vem depois. E esse é sim o nosso compromisso ao fazer música: mostrar o que fazemos com a consciência de que os que virão depois de nós podem aprender com o que fazemos.

Minha alegria foi ainda maior quando vi jovens descolados, inteligentes e observadores elogiarem de forma aberta e irrestrita o solo da Siníria. Ela realmente precisa saber de todos o quão incrível ela é nas suas capacidades musicais. E… quer saber? Eu ganhei o meu final de semana quando ouvi esses elogios para ela. Ganhei meu final de semana quando aqueles jovens se empolgaram com o que nós fizemos.

Superei meus objetivos quando entreguei duas partituras para aqueles jovens e disse: “façam música, e estaremos sempre juntos.”

Coro Ítalo… muito obrigado.

Quando eu entrei no coral, eu disse que tinha como objetivos ajudar no que fosse possível para o grupo crescer, mas que gostaria de aprender com vocês algumas coisas para continuar a crescer.

Mas nunca disse para vocês que entrei no coral para também me sentir em casa em Florianópolis. E vocês conseguiram isso, da forma como me receberam, me acolhendo como um de vocês, desde o primeiro segundo.

Só esse coral conseguiu isso. E, por isso, e muito mais, eu sou grato, de coração.

Em breve, volto para Araçatuba. Para abraçar meus pais, matar as saudades dos amigos que lá deixei, e visitar o coral que eu participei por 15 anos. Vou ter muitas histórias para contar.

E o Coro Ítalo terá um capítulo dedicado na minha narrativa.

Muito obrigado por vocês entrarem no meu caminho. Vamos seguir fazendo música juntos. E isso é ótimo.