É até estranho eu escrever algumas linhas sobre o Motorola Moto P30 enquanto me preparo para o evento de lançamento do ASUS Zenfone 5. Não há conflitos de interesse aqui, posso garantir para vocês. Porém, eu precisava dar os meus pitacos sobre algumas coisas do dispositivo e, principalmente, a curiosa reação das pessoas diante de determinadas situações.

É fato que o Moto P30 está carregado de referências de dispositivos de dois grandes fabricantes que, hoje, são concorrentes da Motorola no mercado asiático (tenho que pensar neles, pois o dispositivo foi pensado nos asiáticos de forma prioritária): Apple e Huawei.

Não falo só do notch. Todo o conceito de design e acabamento é um resultado da combinação de dispositivos como o iPhone X e do Huawei P20 Pro. É fácil concluir que tais dispositivos são a referência para a concepção de design do novo smartphone da Motorola.

Porém, pude observar a boa vontade dos fãs da Moto em não considerarem esse produto uma ‘cópia’, mas sim um ‘fruto de tendência’. Sim… se é ASUS, Xiaomi ou LG fazendo algo parecido, é cópia. Mas como é a Motorola, vira tendência de mercado.

Como assim?

Eu entendo os fãs da Motorola. Entendo mesmo. Entendo principalmente os defensores da linha Moto G, pois aquele smartphone tem pacto com alguma coisa, entregando atraentes dispositivos para os seus fãs.

Agora, negar o óbvio dessa forma? Por que, moto lovers?

 

 

Acho que o Moto P30 é capaz de ir além do design. Ele chama mesmo a atenção quando entrega especificações de um bom smartphone de linha média premium com um preço na casa dos 300 euros, algo que está na margem mais econômica dentro da sua categoria.

É quase como se a Lenovo tivesse comprado a Xiaomi, reduzindo drasticamente a sua margem de lucro, apenas para oferecer um dispositivo comercialmente mais atraente.

É uma tática que pode funcionar, e até torcemos para que funcione. Que o Moto P30 é um ótimo smartphone (com Snapdragon 636), pouco podemos duvidar. Mas sempre precisamos ter em mente em como esse conjunto vai se comportar no seu desempenho, e se o mesmo entrega a experiência de uso desejada.

Tudo indica que sim. E, com esse design e um preço matador, ele tem tudo para dar certo no mercado.

Fica a torcida para que o dispositivo venha para o Brasil, até mesmo para deixar a competição entre os dispositivos de linha média algo ainda mais acirrado. Afinal de contas, a Motorola precisa apresentar o seu contra-ataque com eficiência, mostrando o que sabe fazer de melhor.

Mas que é inegável que ele é a cara do iPhone X, isso é. E, que fique bem claro: não estou incomodado com isso, apesar de entender que existe a tendência dos smartphones ficarem todos com a mesma cara.

Mas podemos lidar com isso também.