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Como avaliar o desempenho de um jogador de futebol durante as partidas? As variáveis são muitas: passes dados, gols marcados, chutes à gol, recuperação de posse de bola… porém, dentre todos os itens, um se transformou em uma das principais referências para saber se um jogador foi bem ou mal em um jogo: a distância percorrida.

Muito se questiona o desempenho de um atleta pela quantidade de quilômetros percorridos por ele. Nesse post, falo um pouco do que pode acontecer com um jogador nesse aspecto, e o que o mundo da tecnologia tem a ver com isso.

 

As câmeras perseguem os jogadores (e seus números)

Vamos ver como a UEFA, uma das primeiras a incorporar esses dados de performance, conseguiu medir a distância percorrida pelos jogadores em campo. E a resposta está em uma empresa norte-americana, a Stats, que é de propriedade da Vista Equality Partners.

A Stats baseia o seu negócio no desenvolvimento de serviços de estatísticas para diferentes esportes. Dados de todo o tipo em um painel de controle permite o acesso à todas as informações de uma partida em tempo real. Até aí, nada de espetacular.

O que realmente interessa na Stats é o que eles batizaram de “player tracking”. Essa tecnologia vai além da medição de distância percorrida, e oferece outras variáveis individuais, como velocidade média e máxima, aceleração, velocidade com a bola, mapas de calor, distância total, vezes em que teve a posse de bola, entre outros.

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Os dados se separam entre equipes, jogadores e a bola. E é um volume de dados que disseca o jogo completamente.

Ok, a Stats mede muitos dados. Mas… como eles fazem isso?

Os dados coletados pelo Stats são obtidos por um sistema chamado SportsVU, que é um sistema de câmeras de alta definição que se divide em duas plataformas para fazer o registro dos movimentos em campo. É uma combinação de hardware e software simplesmente incrível.

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O SportsVU SV possui três câmeras que seguem os diferentes objetos do campo, obtendo as informações sobre a posição em três eixos (X, Y, Z), criando assim uma corrente de dados que são enviados em tempo real para computadores que os registram. Já o SportVU MV é um sistema de seis câmeras elevadas, que apóia os resultados enviados pelo sistema SV. Não é uma tecnologia perfeita (margem de erro de 3%), mas é suficientemente confiável para tirar conclusões do que acontece em campo.

Na última Copa do Mundo, foi a empresa italiana Deltatre a responsável pelas estatísticas dos jogos, em colaboração com as demais empresas responsáveis pela realização das partidas. Cada partida foi analisada, com suas informações enviadas em tempo real. De novo: como eles fizeram isso?

O sistema da Deltatre que segue os jogadores é parecido com o da Stats: várias câmeras seguem os movimentos de cada um para calcular a distância percorrida, gerando os mapas de calor. E esse parece ser o padrão para os próximos anos.

 

Fome de dados, falta de apetite para analisar esses dados

O que fica claro nesse ponto é que temos tecnologia de sobra para analisar diversas variáveis do jogo, que enriquecem de forma notável as estatísticas das partidas. Porém, ainda existem os mais céticos sobre a questão.

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Como aplicar esses dados de alguma forma? Além de munir o torcedor de dados para a conversa no bar no dia seguinte com os amigos, algumas estatísticas são realmente irrelevantes. Quem se importa com a velocidade máxima de um atleta durante um ataque? Ok, podemos formar um infográfico com os jogadores mais velozes, mas nada muito além disso.

Indo para o lado profissional, essas informações são bem mais úteis. Ver por onde os jogadores correram mais, analisar como o seu adversário se move em campo, e outros dados que podem oferecer conclusões e soluções para as equipes nos próximos jogos.

No basquete, temos um precedente com o Portland Trail Blazers: a equipe utilizou os dados de jogos anteriores e aqueles recebidos em tempo real para afinar um pouco mais a estratégia de jogo. O resultado? A melhor temporada da equipe nos últimos anos.